«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Serra da Cabreira- "No Nariz do Mundo"

21 de Janeiro de 2012


 «Nariz do mundo»? Estranho nome. Embora, por terras de Basto, ele esteja invariavelmente associado à boa (e farta) comida minhota, devido a um prestigiado restaurante local, a expressão é também sinónimo de montanha.
De manhã cedo, quando os primeiros raios de sol começavam a iluminar as encostas do vale da ribeira de Riodouro, pusemos as mochilas às costas e iniciamos mais uma marcha de montanha. Afortunadamente brindados com a promessa de um dia de céu limpo, e aproveitando uma luz fenomenal, o obturador das máquinas fotográficas começaram desde logo a disparar montanha acima.
Enquanto subíamos pausadamente a íngreme encosta da montanha, não deixamos de ficar surpreendidos pela imensa quantidade de socalcos que íamos encontrando pelo caminho, delimitados pelos já tradicionais muros de pedra sobreposta. Infelizmente, muitos destes lameiros encontram-se hoje em dia ao abandono, servindo apenas como recordação de um tempo longínquo, pautado pela fome e miséria, onde cada palmo de terra conquistado à montanha traduzia-se num pouco mais de comida em cima da mesa.
Transposto o vale, atingimos um vasto planalto, povoado por pequenos núcleos rurais, mas todos eles muito bem protegidos de eventuais visitas indesejadas, ou «turras», como lhes chamam os locais, tendo em conta o comité de boas vindas que recebemos! Em cada aldeia, um pelotão de cães de gado, na sua maioria de raça Castro Laboreiro, davam-nos as boas vindas com um sorriso bem «afiado». Felizmente, assim que davam pela nossa presença, os aldeãos vinham imediatamente ter connosco, aproveitando a ocasião para mais um «dedo de conversa». Conversa aqui, conversa acolá, e lá nos indicaram o melhor caminho para vermos o «nariz do mundo».
O «nariz do mundo» é, na realidade, um rochedo escarpado colocado no meio de um desfiladeiro, que com um pouco de imaginação e alguma boa vontade, assemelha-se a um nariz. Toda a paisagem envolvente do desfiladeiro é de uma beleza avassaladora. O interior do desfiladeiro é literalmente rasgado pela impetuosa ribeira de Cavez, um curso de água jovem, cheio de força e vida, que à medida que vai descendo o vale, cria em certos locais cascatas espectaculares, e, em contrapartida, criam-se poços naturais noutros pontos, convidando a refrescantes banhos nos meses quentes de Verão.
Aproveitando a beleza do cenário e instigados por um bichinho que começava a tomar conta do estômago, pousamos as mochilas e retiramos o farnel, para um descontraído almoço. No regresso à aldeia de Magusteiro, destaque para a passagem por um lindíssimo bosque, composto por um delicado e harmonioso equilíbrio entre diferentes tipos de resinosas (pinheiro silvestre) e folhosas (carvalhos, bétulas), dica de um simpático pastor local… privilégios cedidos apenas aqueles «loucos» que simplesmente adoram andar por esses montes fora.
Pedro Durães

Características do percurso:

. Trilho circular de ligação entre 2 percursos homologados ("Percurso do Alto do Esporão" e "Trilho do Pisão")
. Grau de dificuldade moderada, extensão de aproximadamente 16 km, com desníveis um pouco acentuados
. De entre os vários pontos de interesse destaco o vale da ribeira de Riodouro, os núcleos rurais de Magusteiro, Juguelhe, Formigueiro e Moscoso e o desfiladeiro do «nariz do mundo»

Algumas fotografias do dia

Amanhecer no vale da ribeira de Riodouro
 
«Jogos» de luz e sombra

Início da formação do vale da ribeira de Riodouro, com o alto das Torrinheiras no canto superior esquerdo

Aldeia do Formigueiro

Calçada de acesso aos lameiros na aldeia do Formigueiro

O «nariz do mundo»

Foto de grupo com o desfiladeiro do «nariz do mundo» como pano de fundo

Passagem por um lindo bosque no regresso à aldeia de Magusteiro



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