«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Serra do Alvão- "Paisagens do Alvão"


 25 de Fevereiro de 2012


"O Parque Natural do Alvão, situado na região oeste de Trás-os-Montes, é um pequeno reino de cascatas e desfiladeiros. Nesta área protegida de reduzidas dimensões, com pouco mais de 7000 hectares, o visitante irá deparar-se com uma surpreendente diversidade paisagística, originada, acima de tudo, pela sua topografia acidentada e fortemente influenciada por diferentes tipos de clima. Invariavelmente associado a uma conhecida cascata, cujas águas do rio Ôlo se precipitam sobre uma impressionante parede de rochas arqueadas e fracturadas, as Fisgas do Ermelo são o ex-líbris do parque natural, e local de romaria nos meses de verão.
No entanto, há um outro Alvão a descobrir. Um Alvão mais humano, composto por homens e mulheres que juntos moldaram a inóspita paisagem e que diariamente retiram das entranhas da serra o seu sustento. É um prazer, e simultaneamente uma aventura, acompanhar as margens selvagens e ruidosas do rio Ôlo, bordeadas por belíssimos carvalhos, pontilhada aqui, e acolá, por moinhos que já não moem grãos de centeio e milho. Seguindo por velhos caminhos rurais, deixamos o rio para trás e rapidamente entramos nas ruelas graníticas da aldeia, não sem antes havermos passado por viçosos lameiros, onde homens e mulheres labutam arduamente, ao invés, vacas maronesas vão pastando pachorrentamente ao longo do dia. No interior das povoações ainda é possível observar um punhado de casas rurais tradicionais, de dimensões modestas e escassas aberturas, alicerçadas com granito da região e revestidas por telhados de laje de ardósia, ou colmo.
De pé posto, continua-se a subir a pedregosa encosta da montanha. Revoltosos ribeiros insistem em rasgar a serra e, à sua volta, vão surgindo pequenos bosquetes de bétulas, rodeadas por abundantes manchas de pinheiro-silvestre. O som do vento é esporadicamente interrompido por um cada vez mais audível «tlimmmm», «tlimmm», «tlimmm». De um momento para o outro, centenas de cabras bravias surgem pela montanha acima, inspeccionando e remoendo os tufos de erva que encontram pelo caminho. É difícil ficarmos indiferentes à melodia que emana dos chocalhos, uma melodia triste, solitária, e, acima de tudo... livre."
Pedro Durães


Características do percurso:

. Trilho circular, não homologado, percorrido maioritariamente por caminhos rurais, florestais e de pé posto
. Grau de dificuldade moderado, extensão de aproximadamente 18 km, com desníveis um pouco acentuados
. Como pontos de interesse destaco o rio Ôlo, as aldeias de Pioledo, Assureira, Barreiro e Varzigueto e o planalto do Outeiro da Águia

Algumas fotografias do dia

Passagem sobre o leito do rio Ôlo

Caminho de ligação da aldeia do Barreiro com o rio Ôlo

 Aldeia da Assureira com os seus lameiros

Curral com telhado de colmo

Vidoal de montanha

Rebanho de caprinos devidamente acompanhado por cães de gado

Foto de grupo com as montanhas do Alvão como pano de fundo

Regresso à aldeia de Pioledo

2 comentários:

teresa Pereira disse...

Olá pedro! Que bom saber noticias vossas!
Nós por cá continuamos a "palmilhar" estas montanhas-
Abraço a todos os companherios!
Teresa pereira

Pedro Durães disse...

Olá Teresa,
- Eu tenho estado atento às fotos das vossas caminhadas, e não deixo de ficar feliz por ver 3 maravilhosos caminheiros continuarem com uma garra, e, acima de tudo, uma alegria de viver invejáveis. Sem dúvida que vocês são um exemplo de como se deve estar e sentir a montanha. Beijinhos para a Teresa e para a Orquidea e um abraço ao João Paulo!
Cumprimentos Andantes,
Pedro Durães