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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Imagens Soltas II- “Queda de Água das Fisgas de Ermelo”


Já por diversas ocasiões ouvi comentários de várias pessoas acerca da queda de água das Fisgas de Ermelo, e quase todas elas são unânimes em considerar que a queda de água não tem nada de extraordinário, chegando haver casos em que alguns acabam por nem sequer ver a referida cascata!? Por mais estranho que possa parecer, não só é verdade, como isso já aconteceu comigo. Na primeira deslocação ao Parque Natural do Alvão, e ao respectivo miradouro sobre a queda de água, estávamos na altura em pleno mês de Agosto, no pico do Verão, quando me debrucei sobre a escarpa, fiquei incrédulo… não vi absolutamente nada! Nem sequer um ruido de fundo anunciar que algures, por entre a penedia, havia uma queda de água. Tanto me falaram da cascata, e afinal…
Porém, a verdade é que há um outro miradouro de onde se pode obter uma vista avassaladora sobre a queda de água, mas para isso é necessário efectuar uma pequena caminhada, linear, e de apenas 3 km (6 km ida e volta).

Vista a partir do miradouro «oficial»

Mesmo com uns bons binóculos não conseguem ver mais do que isto :(

Partindo precisamente do miradouro «oficial», encontraremos uma placa informativa do Parque Natural do Alvão, ao lado da qual parte um pequeno estradão asfaltado (no local encontra-se uma cancela a impedir a passagem de automóveis). Seguindo por esse estradão (sempre a subir), que termina um pouco mais á frente, surgirá uma bifurcação, viramos á direita e acabamos por seguir um caminho florestal (em terra batida) que atravessará um belo pinhal.
 
Placa informativa do Parque Natural do Alvão

Estradão asfaltado (passagem proibida a automóveis). Ao fundo encontra-se a aldeia de Ermelo

O caminho em terra batida que atravessa o pinhal
 
Pausadamente, o caminho acaba por ir ao encontro das águas límpidas do rio Ôlo. Estranhamente, o caminho termina na margem direita do rio, e será necessário atravessá-lo (posteriormente o caminho continua na outra margem). O local é bastante amplo e nessa zona o caudal não é muito, o que permite a passagem, saltando de «pedrinha em pedrinha». No entanto, se a caminhada for efectuada em pleno inverno é praticamente impossível transpor para a outra margem, pelo menos sem molhar as botas. Será necessário encontrar outro local para a travessia, ou então recuar até à ponte sobre o rio Ôlo (situada à entrada da aldeia de Varzigueto) e apanhar um pequeno carreiro que parte sobranceiro à margem esquerda do rio (essa opcção implicará um ligeiro aumento do tempo e da distância a percorrer).
 
Pausadamente o caminho acaba por ir ao encontro do rio Ôlo

 O local onde é possível transpor para a outra margem do rio... mas desta vez não foi possível

... fortuitamente acabamos por encontrar uma ponte «caseira»

Uma escorregadela e era banho na certa 

Transposto o rio, continuamos pelo referido caminho em terra batida. Do nosso lado direito surgirão as famosas Piocas, quase tão conhecidas como a cascata, o local é palco de uma autêntica romaria, e ano após ano, inúmeras pessoas deslocam-se para as Piocas nos dias quentes de Verão. A zona é caracterizada por uma fantástica sucessão de inúmeras piscinas naturais ao longo do curso do rio Ôlo. No entanto, é absolutamente necessário chamar a atenção para o perigo das mesmas. Quase todos os anos acontecem acidentes nesse local, e em certos casos com mortes a lamentar. Ainda no recente verão de 2012 um homem faleceu devido a uma queda e consequente afogamento, quando tentava simplesmente tirar uma fotografia… Na realidade, as Piocas assemelham-se a autênticos poços naturais, e em alguns casos a profundidade chega mesmo a ultrapassar os 20 m...

As famosas (e perigosas) Piocas

Do lado direito da fotografia é possível observar a escarpa de onde se encontra o miradouro

Pouco a pouco, o ruído da cascata tornar-se-á constante e cada vez mais intenso, e ao virar de uma curva no caminho, avistaremos a avassaladora queda de água. A partir desse momento resta-nos apenas abandonar o caminhos e descer (com cuidado) a encosta da montanha até uma «varanda» de onde é possível contemplar a maior queda de água (em escada) da europa! Pois é, aposto que também não sabiam dessa ;)
 
Vista a partir de uma «varanda» sobre a avassaladora queda de água das Fisgas de Ermelo 

Qual das vistas sobre a cascata vocês preferem? A escolha não é fácil…

A impressionante força da natureza!

Pedro Durães


Nota: As fotografias foram obtidas aquando de uma anterior incursão ao Alvão, estávamos na altura em pleno inverno. O caudal do rio condicionará o trajecto do percurso. É aconselhável realizar a caminhada no verão, já que podem transpor facilmente para a outra margem… e usufruir das lagoas naturais do rio Ôlo. Mas não se esqueçam, muito cuidado!
 
 

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