«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Serra do Alvão- "Miradouros do Alvão"

02 de Fevereiro

“Massas de granito temperadas pelo vento, quartzitos retorcidos pela força da Terra, vales encaixados, socalcos, planaltos a perder de vista, águas límpidas que brotam do coração da serra, neves, lobos, águias que rasgam os céus, lameiros, campos e baldios, vacas maronesas, cabras bravias, moinhos, levadas, casas de colmo, de xisto, de ardósia negra, Homens e Mulheres que juntos moldaram a paisagem, tiram o sustento da terra e a cada instante fazem este Parque…”
Bem-vindos ao Parque Natural do Alvão!
(Texto retirado de um folheto do Parque Natural do Alvão)

 
Depois de transcrito o texto anterior, já pouco mais tenho a dizer acerca de mais uma formidável actividade de montanha, realizada no «coração» do Parque Natural do Alvão. Seja como for, aí vai o singelo relato de mais uma «aventura» por esses montes fora.
Saindo da aldeia de Arnal, e tomando um trilho de pé posto, contornamos o impressionante caos granítico da “Catedral de Arnal”. Lentamente, fomos ganhando altitude, aproveitando cada paragem para desfrutar das paisagens que entretanto iam surgindo.
Transposto o «mar de rocha» atingimos uma zona de planalto, e, lá está, ponto de paragem obrigatório: a «Cabana». Trata-se de uma simpática tasquinha, localizada no interior de um exótico bosque de bétulas (Betula alba), próximo do paredão da Albufeira Cimeira. Atravessamos o referido paredão, e contornamos a albufeira até um miradouro localizado já próximo da Albufeira Fundeira, uma outra albufeira (embora de proporções menores) e de onde podemos contemplar uma vista fantástica sobre a aldeia de Lamas de Ôlo, os campos de cultivo e lameiros, e sobre o imenso planalto do Alvão, que de ano para ano vai sendo «colonizado» por mais e mais turbinas eólicas.
Atravessando o paredão da Albufeira Fundeira fomos rapidamente ao encontro do local escolhido para almoçar. O almoço foi no interior das ruínas de uma antiga casa, estranhamente localizada no meio do nada e relativamente afastada da aldeia mais próxima (Lamas de Ôlo). Posteriormente, no fim do dia, um pastor da aldeia de Arnal confessou-nos que a casa foi em tempos propriedade de uma família de Lamas de Ôlo, estando o seu uso relacionado com a pecuária, principal meio de subsistência das populações locais. Após o repasto, e seguindo por um antigo caminho florestal, continuamos a marcha atravessando um lindíssimo bosque (já nosso conhecido), de onde se destaca a predominância das manchas arbóreas de pinheiro-silvestre e bétulas. Um pouco mais à frente, numa bifurcação, viramos à esquerda e seguimos pelo estradão que liga as barragens do Alvão ao Vaqueiro, uma área predominantemente planáltica, muito fértil em termos de pasto, e de onde nascem vários cursos de água, entre eles a ribeira de Arnal.
Descemos rumo às barragens acompanhados por uma nuvem «manhosa» que durante a sua passagem presenteou-nos com uma descarga de chuva que chegava cá em baixo em pequenas bolas de granizo, mas que eram estranhamente fofas, tal como a neve… incrível! Atalhando pelo meio de um pinhal começamos desde logo a vislumbrar o próximo ponto de passagem: o "Cabeço de Arnal". De proporções gigantescas, a fraga domina de uma forma nua e crua a paisagem circundante, em pleno contraste com a verdura do vale adjacente. E Arnal, finalmente à vista... Apesar da curta distância que nos separava do ponto de partida, a verdade é que esta seria, por ventura, a parte mais delicada do dia. A descida, para além de bastante acentuada, seria efectuada através da passagem por diversas lajes de rocha, bastante húmidas e consequentemente escorregadias e perigosas. Não é de estranhar que para percorrer aproximadamente 200 metros tenhamos demorado mais de 30 minutos! Felizmente não houve quedas a lamentar e acabamos por chegar todos sãos e salvos à aldeia de Arnal.
Na viagem de regresso «encostamos» na Casa Lapão para provar alguma da doçaria tradicional de Vila Real, onde não faltaram os pitos e as cristas de galo e onde ficamos a saber que anualmente, no dia 13 de Dezembro (dia de Santa Lúzia), é tradição os homens oferecerem o pito às mulheres… E esta hein!? 

Pedro Durães
 
Fotorreportagem:
 
Ribeira de Arnal
 
“Catedral de Arnal”
 
Panorâmica da aldeia de Arnal e respectivos lameiros
 
Um zoom à aldeia de Galegos da Serra
 
Uma pequena cascata rompendo por entre um «mar de rocha»
 
O bosque de bétulas envolvendo a «Cabana»
 
Vista da Albufeira Cimeira a partir do paredão
 
Panorâmica da área envolvente da aldeia de Lamas de Ôlo
 
Pelo vestuário dá para ver que o dia até esteve bem quentinho…
(Foto gentilmente cedida pelo camarada António)
 
Fim do repasto, toca a marchar!
 
Esporadicamente o sol lá ia surgindo e as fotografias ganhavam vida
 
Perspectiva das diferentes manchas arbóreas
 
Cá está ele, o monte Farinha! Vai uma volta até lá cima?

 Estradão florestal que liga as barragens ao Vaqueiro

 
Quem é que disse que a descer todos os santos ajudam?
 
E Arnal, finalmente…
 
 

2 comentários:

Alberto Pereira disse...

Mais uma grande caminhada pessoal!

E com muita pena minha por não vos poder acompanhar. E com direito a frio, como eu bem gosto! :)
Aquela descida final deve ter sido qualquer coisa!

Abraço andarilho!

Pedro Durães disse...

Boas camarada Alberto,

- Sem dúvida, mais uma formidável caminhada. Foi pena o sol andar «escondido» por entre as nuvens, o que contribuiu para em certas ocasiões sentir-mos um frio de rachar, mas faz parte ;) E aquela descida no final... olé!

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães