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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Serra do Gerês- “O Enternecedor Abraço”

 
Enquanto vou moendo o cérebro a tentar preparar a próxima “aventura” (algures, por entre as fragas e lagoas da Serra da Estrela), acabei por remexer acidentalmente em algumas pastas e acabei também por reler um “velho” texto que escrevi já lá vão mais de 3 anos. Trata-se de uma inesquecível caminhada outonal, realizada na Serra do Gerês.
Como alguém já o disse no passado, recordar é viver. Sendo assim, aqui fica o singelo relato (na íntegra) de mais alguns «instantâneos de uma vida ao ar livre».
 
 Gerês, 31 de Outubro de 2009
 
“Numa típica manhã de Outono, com temperatura amena, e um horizonte salpicado por algumas nuvens cinzentas, de semblante carregado, lá nos dirigimos uma vez mais para o Gerês. O objectivo do dia era percorrer um pequeno trilho, curiosamente intitulado, “Trilho da Preguiça”. Suponho que o nome talvez tenha a ver com a curta extensão do percurso.
Uma ligeira neblina trespassava o espaço, movendo-se lentamente por entre a ramagem das árvores. O chão, húmido e fofo, encontrava-se revestido de musgo e as árvores, uma mistura de espécies mediterrânicas e outras geralmente mais abundantes nos países do Norte da Europa, levantavam-se de um colchão coberto por fetos gigantescos. Escondidos por entre a vegetação, cogumelos curiosos observavam os intrusos. A imensa variedade e diversidade da flora, especialmente no que diz respeito à botânica, torna o percurso uma espécie de paraíso para os “Darwinistas” em particular.
Embalados por este mundo de magia, e decididos acrescentar mais alguns quilómetros ao percurso, dirigimo-nos à Portela de Leonte, pelo estradão de acesso à Mata Nacional de Albergaria. Acabamos por ficar indecisos entre a opção de subir ao Pé de Cabril, um dos miradouros mais deslumbrantes da serra do Gerês, ou ao acolhedor Prado de Mourô, na vertente oposta da montanha. Com alguma hesitação, lá nos dirigimos ao mítico Pé de Cabril.
À medida que íamos ganhando altitude, um misterioso manto de nevoeiro acolheu-nos com o seu longo e enternecedor abraço. Presença comum nas cotas mais elevadas da montanha, com especial intensidade nos dias chuvosos e cinzentos, o nevoeiro é muitas vezes o responsável por vários acidentes ocorridos na montanha. A dificuldade na obtenção de pontos de referência devido à reduzida visibilidade, pode tornar-se numa grande dor de cabeça. Contudo, o nevoeiro é também capaz de produzir imagens surpreendentes e enigmáticas, repletas de fantasia e misticismo.
Naturalmente, a progressão era feita de uma forma lenta e hesitante. Já depois de alguns membros do grupo terem trepado “heroicamente” ao Pé de Cabril, o nevoeiro, esse, continuava adensar-se cada vez mais, tornando a visibilidade quase nula. Não conseguíamos ver mais do que uns escassos metros em redor. Frustrados, tivemos de recuar, acabando por regressar a Leonte, onde retomamos o trilho inicial.
A falta de bom senso, e a consequente tomada de más decisões, pode, inclusive, colocar a própria vida em risco. Mais do que inteligência, na montanha é necessária humildade e respeito. Factores determinantes que conduziram-nos a um dia muito bem passado, usufruindo dos prazeres que só as montanhas nos proporcionam, em total segurança.”
Pedro Durães
 
Fotorreportagem:
 
 
 
 
 
 
   
 
 
 

 

 


 
 

 

 
 

 

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