«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

domingo, 17 de novembro de 2013

“Cores de Outono na Serra da Cabreira”

10 de Novembro

Há lugares assim… a gente vai lá pela primeira vez, acabamos por voltar uma segunda, faz-se planos para uma terceira visita… e quando vamos a dar conta já nem sequer sabemos a quantidade de vezes que por lá passamos. E no entanto, acabamos sempre por voltar, invariavelmente. Assim foi, uma vez mais.
Depois de vários dias de céus encobertos, finalmente o sol outonal acabou por dar um ar da sua graça, presenteando-nos com um belo dia de S. Martinho. Aliás, não podíamos ter sido mais afortunados em relação ao dia propriamente dito. Para além das excelentes condições meteorológicas, a montanha, e em especial as zonas de bosque, estavam absolutamente… encantadoras! Apanháramos a Cabreira no auge do Outono, precisamente naquela altura do ano em que mal colocamos os pés no interior dos bosques sentimos desde logo que não estamos sós, alguém mais acompanha os nossos passos, caminha a nosso lado… Mas quem serão? Duendes? Estrunfes? Hobbits? E o mais estranho de tudo isto é que no preciso momento em que instintivamente viramos a cabeça para ver quem lá está, mais não vemos que uma manta de musgo envolvendo uma rocha, mais não sentimos que o balancear fortuito do vento por entre a ramagem das árvores, levando consigo as folhas que pouco tempo depois atapetarão o chão onde tímidos cogumelos finalmente ganham a coragem necessária para erguer-se do mar de folhas que se estende em redor. De facto, não é difícil ficarmos completamente embebidos e rendidos pela magia desse mundo digno do Fantástico. Tudo o que vimos e sentimos é de tal forma puro, delicado e belo, que ficamos com a sensação de ter sido como que premiados, presenciando uma realidade... surreal!
Como já vem sendo habitual, o dia não podia terminar sem mais alguns momentos de convívio à volta de uma mesa, no aconchego de um lar a que alguns já chamam de casa, e onde os convivas não se inibiram de demonstrar alguns dos seus dotes culinários (pelo menos no que diz respeito à doçaria estão mais que aprovados!). Claro que as castanhas não podiam faltar, tal como o brinde final, onde para além das habituais palavras de estímulo à vida e à amizade, foi também transmitida uma mensagem de solidariedade e de esperança a quem por motivos de força maior não pôde estar presente. 

Pedro Durães
 
Foto-Reportagem:
 
E assim começava a dança de cores pelos bosques da Cabreira...
 
 … e a dança de cogumelos (amanita muscaria) também!

 Já repararam no tapete por onde caminhávamos?
 
Leito do Ribeiro Escuro
 
 Mais uma bela manta de musgo
 
Mas afinal de contas que criaturas misteriosas habitam estes bosques?
 
Por estes lados até os caminhos florestais têm um certo encanto… 

Panorâmica sobre o Vale da Ribeira da Lage. Penso que agora já dá para perceber o porquê deste local também ser conhecido como “Floresta Mágica”
 
É mesmo verdade, em Portugal também existem lugares como este. Mas para os ver, cheirar, tocar, ouvir, saborear, «é preciso que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite»
 
Ambiente descontraído e divertido… é o que a malta gosta!
(Foto gentilmente cedida pelo amigo Xavier)
 
O nosso Xavier mostrando a sua perícia atravessar pequenos ribeiros, ele e as suas Chiruca que aparentemente resistem a (quase) tudo
 
Derivado à abundante chuva dos últimos dias, pequenos riachos irrompiam por todos os lados
 
Aqui limitei-me a captar uma mensagem da Natureza para alguém muito especial...
 
 Leito da Ribeira da Lage. A fonte de vida deste verdadeiro santuário natural
 
Aposto que não têm um tapete destes lá por casa…
 
A partir desta peculiar ponte seguimos uma levada que transporta a água desviada da Ribeira da Lage até aos campos e lameiros anexos ao aldeamento de Agra
 
Um último olhar para os míticos bosques da Serra da Cabreira. Sei que não é um adeus… sei que voltarei a caminhar por lá… e no entanto as saudades já se fazem sentir…
 
 

7 comentários:

teresa Pereira disse...

parabens companheiros pela maravilhosa ideia que tiveram! Que pena eu tive nao ter podido estar convosco, mas a vida familiar nem sempre me permite estes desvios, especialmente dois dias seguidos, como seria o caso!
Fica comigo a grande vontade de também pisar convosco estes tapetes,gozar convosco este prazer imenso de ser /ter amigos!
Deixo a cada um de vós ,especialmente a ti Pedro, porque já não nos cruzamos há muito , um tempo,um grande beijo e aquele abraço do tamanho do mundo.
Vossa sempre amiga ...Teresa Pereira

Pedro Durães disse...

Olá Teresa,

- Com certeza que a malta voltará a caminhar juntos, é tudo uma questão de tempo. Também já sinto enormes saudades em partilhar convosco momentos como aqueles que foram vividos pelos bosques da Cabreira. Agora a floresta irá adormecer durante os próximos meses, e lá para Abril voltará acordar do seu sono profundo, qual bela adormecida que acorda com o beijo do principe, também estes bosques acordarão com o ressurgimento da Primavera, e esse acordar é também algo de magnifico! Quem sabe se por essa altura pisarás este santuário natural...

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães

Órion disse...

Olá Pedro

O teu registo está muito bem, apesar de nenhuma fotografia poder registar a beleza da Cabreira no Outono, as tuas fotografias estão muito próximas. Até à próxima caminhada e mais uma vez parabéns.

Abraços

Pedro Durães disse...

Olá Jorge,

- Antes de mais, obrigado pelas tuas palavras. Para ser sincero, a maioria das fotografias são obtidas recorrendo aos automatismos da máquina... a verdade é que quando parto para montanha tento prestar bem mais atenção aquilo que os olhos vão captando, do que propriamente ao que as lente da máquina vão registando. E a verdade é que a enorme variedade de cores da Cabreira, aliada à excelente qualidade da luz outonal ajudou e muito ao registo fotográfico. Claro que a "Leicazinha" também acaba por fazer a diferença...
- Quero também aproveitar a ocasião para agradecer a presença e enviar cumprimentos a toda a família "Cabra do Gerês". Bem Hajam!

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães

Lírio disse...

Amigo Pedro!

Antes demais quero-te dar os meus parabéns pelo excelente texto,muito bem relatado a tal ponto que quase senti o cheirinho da terra húmida e colorida da Cabreira!
Fiquei apaixonada por aqueles bosques e nunca esquecerei que foi graças ao teu convite que tive o privilégio de calcorrear as terras por onde o rio que passa pela minha terra nasce!
A companhia e o convívio final foi a cereja em cima do bolo!
Obrigada a todos mas especialmente a ti e ao Rui pela sua companhia e hospitalidade!
Que venham mais!

Um grande abraço da família "Cabra do Gerês"

Pedro Durães disse...

Olá Susana,

- Obrigado pelas tuas palavras. É sempre um prazer para mim partilhar estes momentos com verdadeiros admiradores da natureza e da montanha em particular. Os bosques da Cabreira são apenas uma das inúmeras jóias naturais que (ainda) se encontram imaculadamente preservadas, mas felizmente estas nossas montanhas ainda têm muitos tesouros à espera de serem (re)descobertos, e, acima de tudo, partilhados.
- Espero que a malta volte a encontrar-se mais vezes. Em relação ao local, esse, já nós sabemos... algures, numa montanha perto de nós!

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães

Pedro Durães disse...

Segue em anexo o comentário de Mário Marinho, um grande amigo e um defensor da montanha, que devido à censura qua ainda persiste na China (local onde actualmente se encontra a viver e a trabalhar), não lhe é possível postar comentários no blogure, tendo apenas acesso aos textos, já que as imagens também são igualmente vedadas...

(...)E pronto, acho que vou terminar por aqui. quando normalmente, falo da minha vida em Portugal aos chineses, digo-lhes que gosto muito de ir para a montanha, eh como se fosse a minha segunda vida!!! Em breve irei fazer uma incursao ah montanha, pois ja me disseram que me iriam levar a uma das montanhas famosas desta provincia de Jinjiang. Com direito a visita a um templo Budista. vamos lah a ver se irei ter essa sorte, pois sozinho serah para jah muito dificil lah, chegar, dado o desconhecimento de como lah chegar e o tempo para a minha vida particular que eh muito escasso...
Se, entretanto conseguir fazer uma incursao envio-te umas fotos...
Tenho pena de nao conseguir "postar" nenhum comentario no teu blogue. Tambem nao me eh permitido!!! tenho pena que assim seja, pois adorava poder faze-lo... Pelo menos nesta fase serviria-me de cordao umbilical, para uma das coisas que deixei de fazer com a esta nova aventura, e umas das que tanto gostava...
Mas enfim, a vida eh assim mesmo, feita de opcoes. E eh evidente que nao podemos ter tudo o que queremos, caso contrario isto seria demasiado perfeito!!! e jah nao tinha piada.
Como jah disse, soh li o texto da ultima reportagem!!! A saudade invadiu-me o espirito, quando li as frases, mesmo sem imagens!!! Em breve irei a Portugal, talvez la para Janeiro!!!??? nessa altura gostaria de fazer uma incursao na montanha para "matar" saudades...
Espero que se proporcione, pois as saudades sao muitas...
Se entretanto, quiseres postar este texto no blogue, estas ah vontade, pois eh com muito prazer que vejo as minhas palavras postadas (embora, como jah disse tambem nao as possa visualizar!!!)
PS; Desculpa a ortografia, o meu Laptop foi comprado em Hong-Kong e nao tenho a pontuacao portuguesa no teclado...
Grande Abraco daqui da China companheiro Pedro!!!
(E outro bem grandes a todos os companheiros de montanha em Portugal!!!)
Mário Marinho