«Querido leitor, escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste blogue»

quinta-feira, 8 de maio de 2014

“A Lenda da Serra da Mourela (Pedra da Moura)”


«Conta-se que, quando os mouros foram expulsos pelos cristãos das terras do norte, havia uma mulher moura que estava grávida e que teve as dores de parto no momento da fuga. Escondeu-se, por isso, numa gruta para puder ter o filho. Todos os mouros foram embora, mas ela ficou naquela gruta para criar o filho, e o povo diz que durante muito tempo se ouviu a moura a entoar bonitas canções de embalar. A gruta ficou assim conhecida como a “Pedra da Moura” e a serra onde ela está situada é a Serra da Mourela. Fica entre as aldeias de Pitões das Júnias e Tourém, no concelho de Montalegre.»
Fonte: http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-serra-da-mourela/?tag=421
 
1 de Maio

Assim estava lançado o mote para mais uma incursão ao sempre belo (e místico) Barroso. Porém, infelizmente, acabei por não encontrar a gruta da “pedra da moura”, mas para ser sincero a verdade é que nem sequer me dei muito ao trabalho de a procurar! Não tinha propriamente um plano definido, um trilho a seguir, e tão pouco me lembrei de levar as cartas militares, quanto mais um desses aparelhos electrónicos com sistema GPS integrado. Caso não encontrasse a benfazeja gruta, paciência. Seja como for, o que tinha em mente e o que realmente pretendia era pura e simplesmente caminhar, usufruir da majestosidade do grande planalto serrano e sentir-me pequeno, insignificante. Contrariamente ao que habitualmente faço, em vez de me atirar freneticamente ao encontro da ansiada aventura, optei por caminhar de forma serena e totalmente descomprometida, vadiando fortuitamente por entre montes e vales. E foi assim, sem nada pedir e quando menos esperava, que a Mourela, quente e desanuviada, veio ter comigo. E então pude finalmente ouvi-la, tocá-la, cheirá-la, saboreá-la… meros delírios de um montanheiro na mais pura e solene entrega à natureza, à vida ao ar livre! Ou será que esses delírios não serão porventura a pura vivência de um sonho tornado realidade, um sonho que abrolha e floresce em cada nova incursão a esse lugar misterioso, divino, e infinitamente belo: a montanha.
Muito mais coisas tenho para dizer, partilhar, mas a ponta dos meus dedos teima em não tocar no teclado do computador. Tenho plena consciência que este meu desvario pelos montes aplanados da Serra da Mourela poderia e deveria ser acompanhado por um texto bem mais elaborado, mais descritivo, talvez até... mais poético. Mas a verdade é que o tempo urge e tenho que retomar neste mesmo instante as aulas práticas do meu curso intensivo de toalhitas e fraldas Dodot! J Bem, tenho mesmo de ir...
Até à próxima "aventura" caro leitor!
Pedro Durães
 
(Para obteres mais informação sobre o património natural e cultural da Serra/Planalto da Mourela, clica AQUI!)
 
Foto-Reportagem
 
Torre do Boi, homenagem ao boi barrosão
 
Vista para algumas aldeias (Covelães e Fiães do Rio) e montanhas circundantes (Cerdeira e Cabreira)
 
Mata do Rio Mau, uma das mais extensas e bem preservadas florestas autóctones do PNPG (não é necessário pagar qualquer taxa de acesso…)
 
E quando fui a dar conta, lá andava eu por terras galegas!
 
Pegada de Lobo (Canis Lupus Signatus) 

Marco geodésico de Vaires (1374m), ponto mais alto da Serra da Mourela. Lá ao fundo ergue-se a vizinha Serra do Pisco (1375m)
 
A oeste da Serra da Mourela deparamo-nos com um vulto altivo, áspero, e ao mesmo tempo dominador: o "reino de pedra" da Serra do Gerês
 
E cá estão eles: os cotos/cornos da Gralheira e Fonte Fria vistos de um ângulo diferente daquele a que normalmente estamos habituados  

Vista para a aldeia de Pitões das Júnias e para o "reino de pedra" da Serra do Gerês
 
Curti o enquadramento desta fotografia!
 
Um lameiro “perdido” nos confins da serra 

O planalto da Mourela assemelha-se a uma autêntica manta de retalhos, destacando-se o recorte na paisagem das diferentes formas de maneio dos matos
 
«Assim é a Serra da Mourela, entre a fragilidade do algodão, a humidade da turfeira e a imensidão das nuvens e das montanhas. Aqui, quase na perfeição, se combina a beleza do pormenor e a grandiosidade dos céus, das nuvens e das montanhas.»
 
E cá está a malta junto ao Poço das Rãs (turfeira)
 
A “empoleirada” aldeia de Travassos (fotografia obtida a partir da aldeia vizinha de Covelães)
 
Vale da Ribeira do Rio Mau, com o Alto de Vaires a espreitar bem lá em cima, nas alturas da Serra da Mourela
 
Bonito trecho do trilho por entre a mancha de carvalhal caducifólio
 
A verdejante ruralidade do Barroso...
 
 E assim terminou mais uma caminhada neste recanto (muito) pouco conhecido do PNPG



6 comentários:

Lírio disse...

Olá Pedro!!

Passei por estas bandas e fiquei muito contente por saber de notícias tuas!!...e mais uma vez adorei a tua forma de escrever, por uns instantes parecia que sentia um pouco a forma como caminhas-te calmamente por essa terras deliciosamente belas :)
...pois é, agora o tempo é mais curto e tens que dividi-lo entre montes e fraldas! Lol...que bem te compreendo! É mais uma etapa da vida que lá mais para a frente ficará tudo um pouco mais calmo,irás ver!
Um grande abraço de todos nós cá de casa :)

Lírio e seu rebanho!

Pedro Durães disse...


Olá Lírio,

- Antes demais, obrigado pela tua visita ao meu "cantinho". Foi extraordinário caminhar ao sabor... da Mourela! Valeu bem a pena este desvario. Já por diversas vezes, quando deslocava-me até à aldeia de Pitões das Júnias, contemplava aquele imenso planalto e dizia para comigo: «um dia destes...» e não é que acabei mesmo por caminhar na Mourela :)
- Pois é, o curso intensivo de toalhitas e fraldas vai muito bem, e quando a habilidade não é muita, a força de vontade (e claro, o amor e o carinho) acabam por levar o barco a bom porto.

Um forte abraço a todo o rebanho!
Pedro Durães

disse...

O Planalto da Mourela está no meu top 5 no que respeita às belezas naturais em Portugal. Todos os anos lhe faço pelo menos uma visita na Primavera!

Pedro Durães disse...


Olá Bé,

- Pois é, a Serra/Planalto da Mourela é um verdadeiro jardim do éden! Apesar de "encostadinho" à Serra do Gerês, para a malta da montanha o planalto serrano não é mais do que um local por onde obrigatoriamente têm de passar para chegar à pitoresca aldeia de Pitões das Júnias... que contrariamente ao que muitos idiotas pensam, fica situada nas faldas da... Serra da Mourela!
- De facto, a Primavera é sem dúvida a melhor altura do ano para visitar a Mourela, cujo clímax dá-se lá para finais de Maio/início de Junho. Na altura em que efectuei a caminhada a flor da urze ainda estava a começar a abrir e as manchas de carvalhal continuavam a hibernar, aguardando por mais sol e calor para finalmente acordarem do longo sono invernal. Obrigado pela visita Bé!

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães

Alberto Pereira disse...

Olá amigo,

É muito bom ver-te de volta.
E em grande camarada! Muito bom este 'post', para não variar! :)
Cumprimentos para toda a família (está a crescer) e como diz alguém que tu bem conheces:
"Ventos de Feição!"

Até breve.

Pedro Durães disse...

Olá grande Alberto,

- Nem imaginas as saudades que eu já tinha da montanha, da vida ao ar livre! E este Barroso não me sai da cabeça, ou muito me engano, ou durante os próximos meses vou continuar a explorar a região.
- Obrigado pela visita amigo Alberto.

Um Abraço Montanheiro,
Pedro Durães